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Apesar de ter me afastado das redes sociais mais populares, como Instagram, Facebook, Twitter/X e Bluesky, o WhatsApp — talvez por ser um dos aplicativos de mensagens mais usados — também acaba exercendo o papel de rede social, principalmente por meio dos grupos dos quais todos nós, em algum momento, fazemos parte.

Nesse ponto, meu caso talvez não seja diferente do seu. Você participa de um grupo específico e se depara com pessoas debatendo política como se fossem agentes políticos ferrenhos, cabos eleitorais ou especialistas em absolutamente tudo. Na internet, todos parecem se travestir de especialistas nos mais diversos assuntos, e acabar envolvido em alguma discussão se torna algo muito fácil.

Por conta disso, queria fazer uma provocação: vocês já perceberam que muitas dessas discussões não levam a lugar algum? Ainda assim, nos sentimos presos à ideia de que precisamos conviver com essas pessoas no ambiente virtual.

Eu sou alguém que aprecia opiniões contrárias às minhas, principalmente quando são bem embasadas, porque elas me oferecem um ponto de vista diferente daquele ao qual cheguei. Acredito que isso enriquece o conhecimento. O problema é que, quando esses debates acontecem em espaços como grupos de amigos, jogos ou futebol, na grande maioria das vezes eles descambam para o senso comum. Apenas uma linha de pensamento passa a ser vista como correta, enquanto qualquer posição diferente é tratada como um erro.

O sentimento que tenho é o de que, ao criar uma linha de pensamento, você automaticamente precisa vestir a camisa de um time para ser aceito em determinado grupo. O ponto é que não quero fazer parte de um time, tampouco acredito que exista apenas um lado certo. O ser humano é complexo demais para ser reduzido a rótulos em uma briga virtual.

Quando dizem que a internet deu voz ao povo, logo penso que com isso veio pessoas que falam muito, mas não tem nada realmente relevante a ser dito, que só repetem aquilo que é fonte de crença do seu time e nada mais. Sem quaisquer provocação realmente interessante, apenas mais do mesmo para agradar a sua torcida.

Não é incomum encontrar influenciadores que não possuem base acadêmica ou qualquer aprofundamento real no assunto que defendem, mas que ainda assim ocupam espaços centrais no debate. E talvez seja justamente por isso que tantos diálogos terminem sem avanço algum.

O fato de eu não ter resposta para tudo é o que me incentiva a continuar buscando conhecimento por meio da leitura, e quanto mais conhecimento você busca, menos me sinto parte de uma torcida organizada.


Recentemente encerrei minha conta no Twitter e, com isso, veio uma reação no mínimo curiosa: a de pegar o celular para fazer alguma coisa que não está mais lá. Hoje me peguei olhando para o aparelho enquanto pensava: ok, o que posso fazer com isso agora?

Consultei alguns grupos do WhatsApp e simplesmente deixei de lado. Quando você abandona redes sociais populares como Instagram, Facebook e Twitter/X, percebe que tem tempo sobrando — e que nem sempre sabe administrá-lo como deveria.

Por ser domingo, dediquei meia hora lendo alguns subs no Reddit, que, à medida que acompanho, têm se mostrado cada vez mais interessantes. Há tópicos que realmente valem a leitura, dada a experiência que alguns usuários compartilham por lá, mas é algo que, depois de lido, você simplesmente deixa para trás. Não existe aquela urgência pelo que virá em seguida ou por qual será a próxima trend.

Diferente do habitual, quero falar um pouco sobre como tenho ocupado meu tempo livre, que, aliás, melhorou muito após a aquisição de um Kindle. Fui capaz de ler dois livros em menos de um mês, o que me deixou bastante orgulhoso de mim mesmo. Não devo ter lido nem dez livros ao longo do ano — talvez uns cinco apenas.

De qualquer modo, ao terminar a leitura, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi: eu devia tuitar sobre isso. Mas, sem a rede social, o que faço com essa informação que adquiri agora? Com quem devo compartilhá-la?

Isso é um bom exemplo de como as redes sociais são poderosas em nossa vida, pois nos fizeram acreditar que todo tipo de pensamento ou opinião precisa ser compartilhado naquele espaço e recompensado por likes.

Concluí um livro e simplesmente é isso. Gostei da leitura, ela abriu meus horizontes, e isso vai ficar comigo, para ser compartilhado em um momento oportuno. Existe a recompensa do conhecimento adquirido, mas não existe recompensa externa — algo que ative minha dopamina.

Talvez o grande desafio aqui seja que, sem redes sociais, precisamos aprender de novo a ficar sozinhos.

O ano de 2025 chega ao seu fim e, com ele, vem a reflexão sobre tudo o que aconteceu ao longo dele. Quem diria que 365 dias poderiam passar tão depressa, com um poder de mudança tão grande, onde qualquer decisão seria capaz de alterar o rumo das coisas?

Tive um começo de ano confuso e com pouca expectativa, mas, à medida que ele avançou, novas mudanças vieram e a vida começou a se tornar um pouco mais leve. A rotina — como eu adoro a rotina — se mostrou sólida, e o tempo no trabalho passou a ser prazeroso, assim como as voltas para casa.

Talvez pouca coisa tenha mudado, mas essas mudanças se mostraram impactantes. Afinal, agiram diretamente nos pontos mais importantes da minha vida, como trabalho e família, e por isso sou grato. Também pude dar novos passos, como este novo espaço na internet, onde sinto prazer em escrever novamente, ou o prazer de ter menos e me sentir mais leve por todo o excesso que deixei ir embora.

A vida não é simples, de fato, mas ainda temos controle sobre determinadas áreas dela. E quando somos capazes de assumir esse controle e promover mudanças, a sensação de satisfação que vem junto é imensa. Como poderia reclamar?

Houve momentos difíceis ao longo do ano? Com toda a certeza. Houve situações em que simplesmente soquei uma parede de tanto estresse, assim como momentos de crise de ansiedade a caminho do trabalho. Experiências como essas me mostraram que não posso ter controle sobre tudo, mas posso ter controle sobre a forma como lido com os fatores externos.

Gosto do meu trabalho, mas não posso viver em função dele. Preciso ter um trabalho para que eu possa ter uma vida. Amo minha família e percebo que deveria passar mais tempo com eles, criar mais momentos, mais atividades — e espero remediar isso em 2026.

Também não poderia deixar de estabelecer como meta o início em uma academia. Não tenho mais 20 anos; tenho 40 e, por esse motivo, quero minimizar os riscos da obesidade, que, à medida que envelheço, passa a me preocupar ainda mais.

No geral, tive um bom ano. Finalizo 2025 muito feliz e consciente de que ainda há mudanças por vir — e todas elas serão muito bem-vindas. Espero que o ano de vocês também tenha sido bom e, se não foi, saibam que tudo pode melhorar. A vida é imprevisível, mas temos controle sobre as decisões e sobre o sentido que escolhemos dar a ela.

Um feliz Ano Novo para todos. Nos vemos em 2026!


Com o fim de ano, pela primeira vez nos últimos seis anos tivemos recesso na empresa e não trabalhamos na véspera nem no feriado de Natal e Ano-Novo. Com isso, pude aproveitar mais tempo com meu filho. Brincamos bastante, jogamos videogame e ele também leu muito nesse período.

É incrível como a melhora começa a vir de maneira gradativa, sem a necessidade de pressão, apenas com a definição de horários. Fizemos um acordo com ele: em um dia, ele pode jogar e assistir; no outro, sem TV, mas com leitura e tempo para brincar com seus brinquedos.

Essa ideia veio da minha esposa, que está sempre atenta aos comportamentos dele, e tem funcionado. No começo, ele não gostou muito da proposta, mas, aos poucos, passou a se adaptar. Em alguns momentos, ele mesmo começou a nos avisar que, no dia seguinte, gostaria de assistir a determinado filme ou jogar tal jogo. 

Essa relação que estamos construindo com ele tem sido bem interessante. Inclusive, neste Natal, não demos um presente a ele, pois o que pediu não chegaria a tempo. Ele sabe que deve chegar em algum momento e, curiosamente, não tem falado muito a respeito.

Posso dizer que o fator mais importante aqui tem sido a clareza com a qual minha esposa e eu temos transmitido as mensagens a ele. Sem promessas vazias apenas para fazê-lo esquecer do assunto, sem rodeios. Apenas deixamos claro que será dessa forma, e não há outra alternativa, por motivos X ou Y.

Isso talvez seja difícil para algumas pessoas, penso eu, principalmente quando os pais vivem uma relação desequilibrada com a criança — como já vi em alguns casos, em que ela é tratada como o centro do universo, e não apenas como um dos astros que o compõem.

Falando desse modo, talvez passemos a ideia de que não precisamos lidar com birras e atos de rebeldia, mas isso tudo ainda faz parte da nossa rotina. Há dias em que ele não quer seguir nada, mas nos mantemos firmes, afinal, é para o bem dele mesmo.

Compartilhar essa informação com vocês é uma forma de eu mesmo refletir sobre as decisões que adotamos em casa. E essa ideia nem foi minha, mas sim da minha esposa, que é simplesmente incrível. Ainda assim, achei que seria prazeroso refletir a respeito disso aqui no site.

O engraçado é que meu filho, como dizem, “fala mais que o homem da cobra”, então tem sido divertido passar mais tempo conversando com ele do que ambos olhando para uma tela. Quando não estamos fazendo alguma atividade, estamos deitados conversando — na maior parte do tempo eu ouvindo sobre rankings de força de personagens, as histórias que ele cria enquanto brinca ou respondendo às centenas de “por que isso funciona assim e assado, pai?”.

Ser presente na vida do meu filho é, sem dúvida, um dos melhores presentes de Natal.

Pexels

Não consigo me lembrar de cabeça qual foi a última vez em que realmente fiquei feliz durante as festas de fim de ano. Apesar de até gostar, aquele espírito natalino parece ter me deixado faz tempo. Hoje tudo soa mais como um motivo para reunir familiares que mal vejo ao longo do ano — pessoas de quem gosto, claro, mas com quem não me sinto tão animado a investir tanta energia nessas festividades.

Talvez isso seja um reflexo da depressão. Ou talvez eu simplesmente tenha mudado — não sei dizer se para melhor ou pior. Mas, desde que meu filho nasceu, tenho me esforçado mais. Quero que ele tenha lembranças bonitas das noites de Natal, assim como eu tive quando era criança.

Eu adorava o mês de dezembro, as luzes, as músicas, os presentes, os comes e bebes, minha família. Era tudo tão grande e mágico. Mas isso já ficou distante, e agora sou eu quem ocupa o papel de pai, com uma criança que escreve cartinhas para o Papai Noel.

Essa responsabilidade agora é minha — e, por isso, quero muito que ele aproveite cada momento: as festas, a família, a expectativa de algo especial.
Fico feliz por vê-lo feliz, e acho que isso já me basta.

Tenho uma vida pela qual não posso reclamar. Estou em um emprego estável, não ganho mal, e finalmente vivo um momento em que posso, pela primeira vez, pensar seriamente em ter minha casa própria. Claro, ainda existem obstáculos no caminho, mas, no geral, a vida tem sido boa comigo.

Acredito que estar vivo e com saúde já é algo a ser comemorado — e que melhor data para isso do que as festividades de fim de ano, ao lado da família? Talvez o que eu realmente queira dizer é que o espírito natalino muda quando envelhecemos. Ele deixa de ser aquele encantamento infantil, mas isso não significa que ele deva ser a força que nos reúne.

A vida pode ser boa, mesmo sem grandes celebrações. Estar cercado das pessoas que amamos, talvez presentear quem queremos bem, já é motivo suficiente para comemorar.

No fim das contas, estar vivo é, por si só, uma razão para celebração.
Então… comemoremos.

Feliz Natal a todos!


Chegar aos 40 me fez perceber muita coisa — e uma delas é que o que já era ruim conseguiu piorar com a ascensão das redes sociais. Antes, a gente lidava com programas de gosto duvidoso.

Hoje, lidamos com gente duvidosa produzindo coisas ainda mais duvidosas.

O YouTube está repleto de conteúdo inútil, e o algoritmo faz questão de nos bombardear com isso, e com o shorts, uma simples rolagem pode tomar alguns bons minutos do seu tempo. E quando se tem uma criança, eu digo que é impossível deixá-los sozinhos com a tv.

Mesmo controlando, meu filho teve contato com outras crianças na escola e descobriu animações que, sinceramente, me fez perceber que, apesar de He-Man ter sido criado para vender brinquedos, o desenho ao menos buscava oferecer mensagens positivas às crianças.

Hoje, em compensação, parece que tudo foi projetado para o brain rot — conteúdo rápido, barulhento, hipercolorido, sem pausa, sem propósito e sem qualquer interesse em ensinar algo além de como perder a atenção em cinco segundos.

O que me leva a perceber o quanto é difícil criar uma criança numa era parcialmente digital, onde se tornou quase um senso comum entregar um celular na mão delas.

Perto de outras crianças, meu filho às vezes parece um pouco deslocado. Mesmo se inteirando na escola, os colegas vivem falando de animações que ele não assiste ou de jogos — como Roblox — que ele não joga.

E eu me pego pensando se essa privação que escolhemos impor não contribui para que ele se isole um pouco.

Mas, ao mesmo tempo, não me sinto culpado por permitir que ele seja simplesmente uma criança: que brinque com seus brinquedos, que tenha horário para dormir, tempo de tela limitado e tempo de videogame com propósito.

Talvez ele demore mais para entrar em certas conversas. Mas, em troca, ganha algo que o mundo parece ter esquecido de oferecer: tempo para existir sem pressa.
 
Enquanto tudo ao redor parece se mover depressa demais, eu consigo vê-lo descobrindo o mundo no próprio tempo — e isso é bom.

Quero que ele viva a infância com ternura, com lembranças reais, e não lembranças do tempo que passou com um celular nas mãos.

Pexels

Estou em tratamento para depressão há pouco mais de um ano, e cheguei a fazer terapia por quase o mesmo tempo. Posso dizer que foi, muito provavelmente, uma das fases mais diferentes que vivi — porque só então percebi o quanto eu estava mal antes de começar esse processo de cura.

Tudo começou de forma silenciosa. Eu não percebia os sinais. Mas os pensamentos estranhos — aqueles que não deveríamos ter — começaram a ficar mais fortes. O que antes era apenas uma voz sussurrando virou uma multidão ruidosa.

Eu me sentia triste. Uma tristeza que não sei medir, mas que parecia uma amiga indesejada que me abraçava sempre que eu ficava sozinho — e eu a odiava por isso.

Quando a medicação chegou, foi que finalmente percebi como era realmente estar sozinho.
Essa companhia indesejada não foi embora totalmente, mas foi silenciada.
Estar comigo mesmo agora era diferente.

Os problemas não desapareceram. Eles continuavam ali — só que agora eu conseguia enxergá-los como realmente eram: problemas a serem resolvidos, e não monstros à espreita.

O mundo, que antes parecia tão distante e cinza, começou a revelar algumas cores. É de fato um processo, e não existe uma cura rápida para o estrago que a depressão nos causa — afinal, é uma doença que exige tempo, paciência e vontade de mudar.

Mudar talvez seja a parte mais difícil, porque significa abandonar velhos padrões, e nenhum de nós gosta de abrir mão daquilo que aprendemos a chamar de “normal”. Mas gosto de pensar que não é possível mudar sem antes desaprender aquilo que acreditávamos ser imutável.

Se o mundo precisou de guerras para se transformar no que se tornou, imagine então o esforço para mudar aspectos tão íntimos de quem somos.

Se você também está passando por esse momento tão delicado, não pense que é o único — e muito menos que está sozinho. O processo de cura é lento, mas ele só é possível se você realmente quer ser curado.

Eu sugiro a cura.
Mesmo quando ela assusta.
Mesmo quando parece impossível.
Mesmo quando tudo em você diz para não tentar.

Porque, no fim, viver machuca — mas continuar vivendo vale a pena.

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