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Dedicar um tempo para brincadeiras com meu filho tem sido importante — mas muito mais importante para ele. Afinal, estamos reforçando nossos laços e criando memórias que certamente ele levará para a vida.

O engraçado é que, apesar de pensar sobre isso, não é incomum que às vezes eu simplesmente não esteja no clima de brincar. E, quando digo isso a ele, posso ver em seus olhos o desapontamento, que vem acompanhado de reclamações de que eu não brinco o suficiente com ele.

Tenho medo de perguntar o que seria “o suficiente”, pois, com tanto tempo livre nas férias, muito provavelmente isso significaria um dia inteiro sentados, brincando com seus brinquedos e pelúcias.

Quando estamos brincando juntos, não consigo deixar de visualizar o quanto ele cresceu, como está se desenvolvendo bem e como é criativo — conseguindo elaborar situações que replicam o mundo adulto, mas dentro de uma visão mais pura e inocente do que é essa vida.

Não posso deixar de citar como me divirto quando ele tenta falar sobre o sexo feminino. Ao dizer que seu boneco tinha uma namorada, e quando o indaguei sobre o que sabia a respeito de namoro, ele ficou vermelho e, rindo, me disse que era quando um homem e uma mulher se beijavam — caindo na risada logo em seguida.

Essa experiência com ele me dá uma certa ideia de como deve ter sido para os meus pais, que também me assistiram enquanto eu crescia. Será que eles conseguiram curtir esse processo como eu aprecio o processo do meu filho?

Essas perguntas obviamente não terão uma resposta genuína, até porque a ação deles para comigo me passava uma impressão diferente. Ou talvez eu tenha me rebelado muito cedo.

A lição que tiro disso, como filho de um lar complicado, tento ao máximo não replicar as ações que tanto me machucaram, mas ainda assim cometo erros e excessos as vezes, o que faz com que eu tente me redimir sendo alguém melhor para o meu filho, um exemplo melhor do que o que tive.

Talvez essa seja a função de um pai: tentar ser melhor e dar o suporte necessário para que seu filho seja melhor do que você foi.


Não sei dizer se isso pode estar relacionado à idade, mas percebi que algo mudou. Atividades que antes eu considerava prazerosas parecem ter perdido um pouco do seu apelo.

Ficar sentado em frente à televisão jogando deixou de ser uma experiência agradável. Agora, me sinto como se precisasse estar em qualquer outro lugar, exceto ali, jogando. Surge a sensação de que estou perdendo tempo, quando poderia estar fazendo algo que deixasse algum rastro.

O problema é que, enquanto faço esses questionamentos, acabo me vendo com a TV ligada, olhando para qualquer coisa, enquanto o tempo vai passando. O que eu deveria fazer? Por que tenho essa sensação de que nenhuma outra atividade parece capaz de oferecer a mesma dose de estímulo que antes me satisfazia?

Não sei se isso tem fundamento no tipo de leitura que venho fazendo, mas é inegável que ela contribuiu para uma nova perspectiva sobre a vida — uma em que o prazer parece precisar vir do ato de produzir algo. E, quando falo em produzir, não me refiro a desempenho ou rendimento, mas à sensação de ter feito algo, mesmo que pequeno, para mim mesmo.

Talvez concluir a leitura de um livro, fazer uma atividade ao ar livre, escrever um texto para o site ou simplesmente passar mais tempo com a família. Tenho pensado bastante sobre o valor que cada uma dessas atividades tem para mim.

Certamente não tenho todas as respostas para os meus próprios questionamentos, mas, de fato, hoje começo a olhar para o que faço com um foco maior no valor de cada uma dessas atividades.

Apesar de ter me afastado das redes sociais mais populares, como Instagram, Facebook, Twitter/X e Bluesky, o WhatsApp — talvez por ser um dos aplicativos de mensagens mais usados — também acaba exercendo o papel de rede social, principalmente por meio dos grupos dos quais todos nós, em algum momento, fazemos parte.

Nesse ponto, meu caso talvez não seja diferente do seu. Você participa de um grupo específico e se depara com pessoas debatendo política como se fossem agentes políticos ferrenhos, cabos eleitorais ou especialistas em absolutamente tudo. Na internet, todos parecem se travestir de especialistas nos mais diversos assuntos, e acabar envolvido em alguma discussão se torna algo muito fácil.

Por conta disso, queria fazer uma provocação: vocês já perceberam que muitas dessas discussões não levam a lugar algum? Ainda assim, nos sentimos presos à ideia de que precisamos conviver com essas pessoas no ambiente virtual.

Eu sou alguém que aprecia opiniões contrárias às minhas, principalmente quando são bem embasadas, porque elas me oferecem um ponto de vista diferente daquele ao qual cheguei. Acredito que isso enriquece o conhecimento. O problema é que, quando esses debates acontecem em espaços como grupos de amigos, jogos ou futebol, na grande maioria das vezes eles descambam para o senso comum. Apenas uma linha de pensamento passa a ser vista como correta, enquanto qualquer posição diferente é tratada como um erro.

O sentimento que tenho é o de que, ao criar uma linha de pensamento, você automaticamente precisa vestir a camisa de um time para ser aceito em determinado grupo. O ponto é que não quero fazer parte de um time, tampouco acredito que exista apenas um lado certo. O ser humano é complexo demais para ser reduzido a rótulos em uma briga virtual.

Quando dizem que a internet deu voz ao povo, logo penso que com isso veio pessoas que falam muito, mas não tem nada realmente relevante a ser dito, que só repetem aquilo que é fonte de crença do seu time e nada mais. Sem quaisquer provocação realmente interessante, apenas mais do mesmo para agradar a sua torcida.

Não é incomum encontrar influenciadores que não possuem base acadêmica ou qualquer aprofundamento real no assunto que defendem, mas que ainda assim ocupam espaços centrais no debate. E talvez seja justamente por isso que tantos diálogos terminem sem avanço algum.

O fato de eu não ter resposta para tudo é o que me incentiva a continuar buscando conhecimento por meio da leitura, e quanto mais conhecimento você busca, menos me sinto parte de uma torcida organizada.


Recentemente encerrei minha conta no Twitter e, com isso, veio uma reação no mínimo curiosa: a de pegar o celular para fazer alguma coisa que não está mais lá. Hoje me peguei olhando para o aparelho enquanto pensava: ok, o que posso fazer com isso agora?

Consultei alguns grupos do WhatsApp e simplesmente deixei de lado. Quando você abandona redes sociais populares como Instagram, Facebook e Twitter/X, percebe que tem tempo sobrando — e que nem sempre sabe administrá-lo como deveria.

Por ser domingo, dediquei meia hora lendo alguns subs no Reddit, que, à medida que acompanho, têm se mostrado cada vez mais interessantes. Há tópicos que realmente valem a leitura, dada a experiência que alguns usuários compartilham por lá, mas é algo que, depois de lido, você simplesmente deixa para trás. Não existe aquela urgência pelo que virá em seguida ou por qual será a próxima trend.

Diferente do habitual, quero falar um pouco sobre como tenho ocupado meu tempo livre, que, aliás, melhorou muito após a aquisição de um Kindle. Fui capaz de ler dois livros em menos de um mês, o que me deixou bastante orgulhoso de mim mesmo. Não devo ter lido nem dez livros ao longo do ano — talvez uns cinco apenas.

De qualquer modo, ao terminar a leitura, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi: eu devia tuitar sobre isso. Mas, sem a rede social, o que faço com essa informação que adquiri agora? Com quem devo compartilhá-la?

Isso é um bom exemplo de como as redes sociais são poderosas em nossa vida, pois nos fizeram acreditar que todo tipo de pensamento ou opinião precisa ser compartilhado naquele espaço e recompensado por likes.

Concluí um livro e simplesmente é isso. Gostei da leitura, ela abriu meus horizontes, e isso vai ficar comigo, para ser compartilhado em um momento oportuno. Existe a recompensa do conhecimento adquirido, mas não existe recompensa externa — algo que ative minha dopamina.

Talvez o grande desafio aqui seja que, sem redes sociais, precisamos aprender de novo a ficar sozinhos.

O ano de 2025 chega ao seu fim e, com ele, vem a reflexão sobre tudo o que aconteceu ao longo dele. Quem diria que 365 dias poderiam passar tão depressa, com um poder de mudança tão grande, onde qualquer decisão seria capaz de alterar o rumo das coisas?

Tive um começo de ano confuso e com pouca expectativa, mas, à medida que ele avançou, novas mudanças vieram e a vida começou a se tornar um pouco mais leve. A rotina — como eu adoro a rotina — se mostrou sólida, e o tempo no trabalho passou a ser prazeroso, assim como as voltas para casa.

Talvez pouca coisa tenha mudado, mas essas mudanças se mostraram impactantes. Afinal, agiram diretamente nos pontos mais importantes da minha vida, como trabalho e família, e por isso sou grato. Também pude dar novos passos, como este novo espaço na internet, onde sinto prazer em escrever novamente, ou o prazer de ter menos e me sentir mais leve por todo o excesso que deixei ir embora.

A vida não é simples, de fato, mas ainda temos controle sobre determinadas áreas dela. E quando somos capazes de assumir esse controle e promover mudanças, a sensação de satisfação que vem junto é imensa. Como poderia reclamar?

Houve momentos difíceis ao longo do ano? Com toda a certeza. Houve situações em que simplesmente soquei uma parede de tanto estresse, assim como momentos de crise de ansiedade a caminho do trabalho. Experiências como essas me mostraram que não posso ter controle sobre tudo, mas posso ter controle sobre a forma como lido com os fatores externos.

Gosto do meu trabalho, mas não posso viver em função dele. Preciso ter um trabalho para que eu possa ter uma vida. Amo minha família e percebo que deveria passar mais tempo com eles, criar mais momentos, mais atividades — e espero remediar isso em 2026.

Também não poderia deixar de estabelecer como meta o início em uma academia. Não tenho mais 20 anos; tenho 40 e, por esse motivo, quero minimizar os riscos da obesidade, que, à medida que envelheço, passa a me preocupar ainda mais.

No geral, tive um bom ano. Finalizo 2025 muito feliz e consciente de que ainda há mudanças por vir — e todas elas serão muito bem-vindas. Espero que o ano de vocês também tenha sido bom e, se não foi, saibam que tudo pode melhorar. A vida é imprevisível, mas temos controle sobre as decisões e sobre o sentido que escolhemos dar a ela.

Um feliz Ano Novo para todos. Nos vemos em 2026!

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