Quando nossa vida virou conteúdo?
Eu ainda me pego pensando sobre compartilhar coisas nas redes sociais, principalmente no WhatsApp, que é um aplicativo de mensagens, mas também funciona como uma rede social por meio dos seus status. Percebo que as pessoas continuam compartilhando uma infinidade de coisas, e a única pergunta que me vem à mente é: por quê?
Quando eu fazia isso, pensava que as pessoas pudessem gostar de alguma coisa ou se identificar, mas, sendo bem franco, era uma mentira que eu tentava acreditar. Ninguém realmente se importa. No fundo, é quase uma questão de ego.
Todos nós queremos nos sentir importantes por aquilo que compartilhamos. Tentamos vender uma imagem de pessoas cultas, bem-sucedidas, de seres humanos melhores. No fim das contas, somos milhares tentando pescar alguma atenção ou encontrar algum sentido para nossas vidas.
Vamos a lugares chiques e publicamos fotos do que comemos ou do lugar onde estamos porque queremos que os outros enxerguem aquilo que estamos vivenciando e que, talvez, eles não possam vivenciar naquele momento. Essa sensação de exclusividade é uma das coisas que nos motivam a publicar. Não queremos ter as mesmas experiências que os demais, queremos ser diferentes, viver de maneira diferente e expor isso ao maior número de pessoas possível.
Eu escolhi o caminho oposto. Não faço mais tantos registros de tudo ao meu redor pensando em compartilhar nas redes sociais. Registro aquilo que considero especial, como momentos com meu filho, e guardo isso para minha esposa, meu filho e eu. No mundo real, não surgem motivos para compartilhar essas coisas com estranhos, o que torna aqueles momentos ainda mais íntimos e preciosos. Eles pertencem a mim e àqueles que realmente se interessam. Não são apenas mais uma publicação entre as centenas de milhares que permeiam as redes sociais.
No fim das contas, penso que temos muito pouco a oferecer em termos de conteúdo realmente relevante nas redes sociais. Transformamos a mediocridade em conteúdo para ganhar likes em busca da aprovação de estranhos, que muitas vezes curtem aquilo de maneira automática, sem qualquer conexão real com o que estão vendo.
Recentemente, meu filho recebeu um recadinho da professora elogiando seu bom comportamento. Fiquei tão orgulhoso que registrei o recado com uma foto. Não publiquei sobre isso, não saí contando para todos à minha volta. Foi uma conquista dele e um motivo de orgulho para mim, e isso não pode ser mensurado por likes em uma rede social.
Hoje, quando penso no que poderia compartilhar, a resposta é simples: nada. Minha vida pessoal deve se manter privada, e não se transformar em conteúdo para centenas de pessoas.
Sobre o Autor
Diogo escreve sobre o que sente, vive e aprende, transformando experiências comuns em reflexões sobre presença, tempo e significado. Apaixonado por jogos, música e cinema, encontrou na escrita um modo simples e verdadeiro de se conectar com as pessoas — longe das telas, mais perto da vida real.

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